Como preparar a jornada para a cloud híbrida e evitar riscos?–Episódio 25

Analisar criteriosamente os workloads, avaliar a infraestrutura de TI disponível e contar com equipes qualificadas, processos e ferramentas adequadas são os passos essenciais para uma migração para a nuvem bem-sucedida. Saiba mais.

Como preparar a jornada para a cloud híbrida e evitar riscos?–Episódio 25

Devo migrar todo o processamento de dados da minha empresa para a nuvem? E para qual tipo: cloud pública ou privada? Quais perfis de workload posso manter on premise? E se der errado, custa caro repatriar tudo?

O processo de migração para a nuvem ainda gera muitas dúvidas sobre como, quando e porquê realizá-lo. A despeito das vantagens e desvantagens deste movimento, é importante saber se vale a pena apostar todas as fichas na cloud como uma estratégia única. “Isso porque nem todas as soluções foram feitas para todas as empresas. É preciso entender que cada companhia tem workloads diferentes, com necessidades diferentes”, explica Gustavo Biasi, Arquiteto de Soluções da green4T. Para o especialista, o caminho deve ser híbrido, com uma combinação de recursos em nuvem – pública e privada – e on premise. Mas, antes de qualquer definição de destino, é preciso que seja realizada uma criteriosa análise dos workloads e adotadas ferramentas e processos que busquem dar eficiência à estratégia mitigando, ao máximo, o risco de repatriação do processamento. Biasi fala mais sobre o tema na entrevista à seguir, com o jornalista Fabiano Mazzei, para o podcast greenTALKS. Acompanhe.

Fabiano Mazzei: Olá, seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda a mais um episódio do podcast greenTALKS. Lembro à você que este conteúdo está disponível também no canal da green4T no YouTube, no nosso blog Insights e aqui no Spotify. Vamos falar neste episódio sobre “Como preparar a jornada para a cloud híbrida e evitar riscos”. O nosso convidado é Gustavo Biasi, Arquiteto de Soluções da green4T. Gustavo, muito obrigado por aceitar o convite seja bem-vindo ao podcast.

Gustavo Biasi: Muito obrigado, Fabiano. Esse é um assunto que eu gosto bastante, então, estou bem feliz de participar do  podcast.

Fabiano: Que bom, então vamos começar. Eu gostaria que você avaliasse um contexto recente que apontava o cloud computing como uma espécie de “estratégia única” para resolver todos os problemas relacionados ao processamento de dados das empresas. Como é que você analisa esse assunto,  Gustavo?

Gustavo: Bom, primeiramente, é muito interessante ver como algumas tendências vêm e vão – e uma das funções mais importantes de quem tem essa visão de arquiteto de solução é entender como podemos utilizar da melhor forma cada um desses recursos em diferentes momentos. Quando veio a novidade de cloud, com uma propaganda de disrupção que ganhou bastante força principalmente apoiada por  hyperscallers e grandes consultorias também indicando a possibilidade de você fazer “pay as you go“, ou pagar apenas pelo recurso que usa, uma infinidade de inovações foram aparecendo.

Algumas empresas já começaram nesse mundo, então, são empresas “cloud native” e grande parte delas trabalha apenas com os dados e para a indústria – as manufaturas, setor de  healthcare, quando falamos de outras indústrias onde você tem  produtos e linhas de produção – esses CIOs, os times de suporte da tecnologia enxergaram aí uma possibilidade de também surfar nessa onda. Muitos CXOs, se formos pensar assim, compraram a ideia e obviamente utilizaram aquele “cloud first driver” como mote para fazer as suas inovações e tudo mais.

Mas, com o tempo, a gente foi obviamente usufruindo das possibilidades e a gente foi entendendo que nem todas as soluções foram feitas para todas as empresas. A gente sempre tem de pensar que cada empresa tem workloads diferentes, com necessidades diferentes, então, começou-se a reavaliar os custos atrelados a isso. Obviamente, é pay as you go: se você tem grande necessidade de um processamento próximo, vai ter que pagar por isso. E tudo é custo: a partir do momento que se começou a analisar estes gastos com o processamento, de como você utiliza isso, aos custos que a gente chama de data egress – quando você precisa retomar os dados –, começaram a notar que estava ficando muito oneroso. E as mesmas consultorias que auxiliam essas grandes empresas a definir as estratégias de futuro, desenham os “road maps”, começaram a reavaliar isso. Tanto que uma delas, que tinha simplesmente setado o óbito dos data centers nos últimos tempos, já começou a trazer de volta essa informação de que na verdade o seu data center não morreu, mas ele vai mudar. Ele vai ser renovado e é isso que a gente vê: os recursos dentro dos data centers estão sendo modificados em relação ao seu uso exatamente para se alinhar a esse discurso de híbrido.

Fabiano: Perfeito. Falando nisso, por que a jornada híbrida tem se mostrado mais assertiva?

Gustavo: Essa é uma pergunta muito bacana porque muita gente que apostou todas as fichas na cloud percebeu que os custos para determinados recursos acabam sendo melhor utilizados, mais otimizados, quando você tem a disponibilidade disso on premise ou dentro da sua linha. Alguns fatores como a latência das aplicações, a banda ou as dificuldades que você tem em determinadas localidades por conta de restrições de conectividade – e a gente fala muito de conectividade nos dias de hoje, interligando esses mundos todos de clouds públicas e privadas a sistemas como serviço e plataformas como serviço –  acabaram demonstrando que a melhor saída é você olhar para cada um desses workloads que, por serem diferentes, vão ter diferentes formas de serem utilizados. E a jornada para cloud híbrida que a gente fala hoje que é o futuro, todo mundo entende que o futuro é híbrido e consegue demonstrar isso pra gente. Os custos melhoram, você consegue um leverage não apenas na capacidade de utilizar esses recursos, mas também na forma de suportá-los tal como alguns sistemas que você paga pelo uso ao mesmo tempo que você mantém a alta disponibilidade necessária para uma esteira, para uma linha, até mesmo para parte de sistemas de balança que não podem parar ou então a emissão de notas fiscais. É bem interessante isso, a gente voltou a olhar para cada um dos workloads para definir qual seria a melhor saída e no final das contas é isso: o futuro é híbrido.

Fabiano: Você tem reforçado a questão da definição de workloads e te pergunto quais seriam os passos para que essa jornada rumo à cloud híbrida seja bem preparada?


Gustavo:
Bom, é bem interessante que a gente entenda que as empresas têm os seus fluxos de produção e a partir deles – estamos falando tanto da entrada de materiais quanto o processamento todo até chegar no seu produto final –, ela tem um passo, ela tem suas diretrizes e, obviamente junto a isso a gente tem os pontos de processamento. Os workloads – que são exatamente os pontos de processamento dentro de um mundo de TI – têm necessidades diferentes e elencar esses pontos é importante, mas não apenas isso. A partir do momento que você tem as informações em relação à jornada que você quer tomar junto às suas necessidades, você tem que definir uma estratégia, você precisa estabelecer que o futuro vai depender bastante do processamento de dados e isso tudo tem que ser atrelado a uma mensagem para a companhia. É  por isso que a gente tem o “CBO”, uma nomenclatura de mercado, superimportante que significa Cloud Business Office. Essa entidade, vamos pensar assim, que faz com que a gente tenha um ponto de partida da mensagem de cloud para toda a empresa.

Fabiano: Você poderia explicar exatamente o que faz o Cloud Business Office?

Gustavo: Se eu fosse explicar o Cloud Business Office (CBO) de uma forma mais simplificada seria assim: um centro dentro da companhia que tem a função de propagar a mensagem de cloud para toda empresa. Porque quando falamos de jornada para cloud, não falamos simplesmente de recursos de TI, mas também de alterações nos processos que são importantes – e, algumas vezes, no próprio modelo de negócio da empresa. E esses processos todos que vão mudar, com novos times trabalhando ou novos produtos que serão criados a partir disso, eles precisam bastante dos sponsors que serão os responsáveis por auxiliar na propagação dessa mensagem.

Fabiano: Quando se fala em sponsors, a gente está falando em criar uma nova área dentro da empresa?


Gustavo:
: Não é necessário criar uma nova área, não, embora algumas funções possam ser necessárias – e nós da green4T conseguimos auxiliar nisso. Mas os sponsors para o Cloud Business Office vão desde posições em nível de Diretoria, porque é preciso ter alguém que consiga olhar para a jornada, defender as ideias e até compartilhar com o board essas necessidades para conseguir trilhar da melhor forma sua jornada. A gente precisa ter pessoas que vão olhar para alguns pontos em relação à parte de segurança não apenas do TI, mas para a segurança dos dados e da informação. Para a parte de RH também, afinal, impacta também as BUs. Então, é preciso olhar para isso tudo em estratégia bem feita, bem alinhada com o Cloud Business Office, para definir quais são os passos necessários para essa jornada e essa mensagem vai ser levada para a empresa toda.

Fabiano: Isso ajuda também a alinhar a estratégia de TI com a estratégia de negócio, certo?

Gustavo: Correto, a gente tem muitas vezes a possibilidade de você criar novos produtos exatamente por conta disso. A partir do momento em que você tem uma produção um pouco mais ágil, que você começa a entender que pode melhorar alguns passos e – dentro do B2B – fornecer alguns acessos em determinados pontos da sua cadeia em relação não apenas a obter informação, mas a formas diferentes de você acessar isso, você acaba tendo novas possibilidades. É possível, hoje em dia, você monetizar sua produção E isso tudo é a mensagem do Cloud Business Office.

Fabiano: Muito bem, dentro desse contexto da jornada rumo à cloud híbrida, entendemos que esse processo traz um risco claro que é o de repatriação do processamento de dados. Como podemos evitar que este risco seja algo elevado?

Gustavo: A repatriação de dados, de máquinas e de workloads é algo que a gente vê em qualquer portal de TI. A gente percebe que muitas empresas estão realizando o processo de repatriação, o que é algo bem interessante pelo seguinte: os processos foram mudando, as formas de você consumir isso tudo foi mudando e quando você entende que você poderia fazer isso de uma forma diferente e estabelece quais são seus passos, os seus milestones e alcança isso, consegue-se  perceber o valor daquilo tudo – e a repatriação acontece. Algumas empresas moveram determinados workloads que não eram os mais adequados para uma cloud – algumas partes de dados, backup, sem olhar a utilização disso. A green4T tem ferramentas e pessoas que auxiliam nesse processo de repatriação, mas é bem importante a gente falar que com um processo com uma estratégia elaborada – onde você faz o TCO (Total Cost of Ownership) e compreende o uso dos seus recursos –, você consegue diminuir as altas taxas de egress, que é quando você tem que baixar novamente as informações que você levou para a nuvem ou, então, trazer de volta servidores, serviços ou aplicações. Conta também a parte das disponibilidades: por exemplo, alguns ambientes de produção monolíticos que são o 24/7, necessários para sua cadeia, você pode manter eles dentro do seu ambiente on premise  enquanto você leva os ambientes de desenvolvimento e quality insurance para a cloud, pois eles não precisarão dessa disponibilidade e podem trabalhar em 8×5, por exemplo. São estudos que a gente faz de TCO para verificar se essas soluções são mesmo as mais adequadas. Algumas vezes, a transformação disso tudo para um PaaS ou SaaS, realizando o processo de análise disso tudo é a melhor forma de evitar esse risco de repatriação.

Fabiano: Vamos aproveitar, então, a carona que você deixou aqui para gente para falar sobre como a green4T pode colaborar com essa estratégia, pensando em soluções customizadas, enfim, o que a gente tem a oferecer nesse processo?

Gustavo: Bom, é importante frisar que, quando estamos  desenhando essa jornada, temos que pensar com bastante cuidado no que é necessário. Quando falamos de orquestração, de definir essa jornada, você precisa de pessoas, processos e ferramentas. Nesse caso, a green4T está muito bem preparada para isso: analisar e realizar todo o levantamento, o assessment dos workloads que as companhias têm, verificar se eles estão nas melhores condições para serem utilizados e, a partir disso, definir para onde estes workloads podem ser levados: se com o PaaS, como eu falei, ou vai manter uma infraestrutura dentro de casa – on premise. E como fazemos isso? Com pessoas, processos e ferramentas. E temos tanto as pessoas quanto os processos, principalmente, da parte de análise em relação à origem e destino, da aplicação dos  standards em relação a isso, e temos hoje uma ferramenta fantástica de orquestração que utilizamos para fazer o cloud brokerage dentro de casa, e conseguimos fazer, então, o “fim a fim” dessa jornada para cloud – se é que gente pode dizer isso. Embora a jornada para a cloud seja algo de “começo e meio”, a green4T consegue realizar essa consultoria juntamente aos nossos clientes para fazer essa análise, todas as atividades necessárias para realizar não apenas a movimentação, mas a migração ou transição desses workloads entre diferentes origens e destinos. Até mesmo a repatriação é algo que conseguimos fazer exatamente por conta disso e, acima de tudo, contar com os serviços gerenciados desses workloads que, independentemente de onde a gente esteja, conseguimos  monitorar dentro ou fora de casa, seja cloud pública ou privada.

Fabiano: Muito bem, infelizmente a gente precisa encerrar esse episódio, mas a conversa está ótima e com muito conteúdo. Hoje a gente conversou com Gustavo Biasi, que é Arquiteto de Soluções da green4T, para falar sobre “Como preparar a jornada para cloud híbrida e evitar riscos”. Gustavo, mais uma vez, muito obrigado pela presença e foi um prazer. Espero que você volte aqui para o greenTALKS.

Gustavo: Eu que agradeço, muito obrigado mesmo e no que a gente puder ajudar, é só chamar.

 

Fabiano: Perfeito então é isso, se você que está ouvindo gostou, curta esse episódio, compartilhe e também siga o nosso canal no YouTube e as nossas redes sociais, sempre com muito conteúdo relevante sobre tecnologia. Muito obrigado pela audiência e até a próxima.