O avanço do Edge Computing

September 29, 2021


Em uma sociedade e economia cada vez mais centradas em dados – onde o Big Data exerce poder gravitacional sobre aplicações, serviços, softwares, modelos de negócio e consumidores –, uma solução se tornará essencial a partir desta década: o edge computing.

A estratégia que leva o processamento de dados para perto da fonte geradora atende a uma exigência inegociável de velocidade em tempos de novas tecnologias como o 5G e o IoT (internet das coisas). Estas inovações tendem a levar aplicações e serviços a ficarem mais próximos da origem do dado por necessidade de baixa latência e de alta taxa de transferência de dados.

Mas por quê a velocidade no tempo de resposta virou fator crucial neste momento da indústria de TI?

Desde os primeiros mainframes da década de 1970, verificou-se uma mudança na escala de relevância daquilo que torna o processamento de dados mais eficiente. No começo, a aposta era no potencial dos equipamentos. Depois, a capacidade de transmissão se tornou vital. Agora, é a conectividade quem define o sucesso da solução.

Assim, tanto a internet das coisas quanto a nova banda de telefonia – e todo o universo de aplicações e soluções decorrentes de ambos – só serão efetivos em sua plenitude se puderem contar com networkings conectadas de forma eficiente, dispondo de elevadas taxas de transferência de dados e de respostas no menor tempo.

Neste diálogo entre máquinas, as estratégias de processamento centralizados em cloud, por exemplo, não conseguem garantir a menor latência, seja por conta de eventuais fragilidades da infraestrutura de conectividade ou mesmo de oscilações na rede de transmissão.

O edge computing surge, então, como um facilitador da alta velocidade requerida atualmente, ao levar o processamento para a borda, o que encurta a distância dado-processamento-resposta e evita os percalços da falta de conectividade.

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Piscar de Olhos


Na prática, a aplicação do edge computing impactará diversos setores da economia que já necessitam desta agilidade para se desenvolverem. A telemedicina é um deles.

Após o boom de atendimentos por videoconferência em 2020 – provocado pelo isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19 –, o próximo passo é a consolidação segura das cirurgias à distância. Por sua natural complexidade, o procedimento exige tempo mínimo de resposta entre a consciência situacional sobre o paciente e a decisão do médico, via de regra, localizado longe do centro cirúrgico. Neste caso, o período entre a obtenção dos dados clínicos por meio de sensores e a devida transmissão ao cirurgião pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Exemplo semelhante ocorre no setor automotivo, cuja disrupção vem sendo duramente sentida neste momento de Transformação Digital.

Com o aumento do interesse pela mobilidade autônoma, onde veículos driverless conversarão diretamente com dispositivos de gestão de tráfego posicionadas nas vias públicas, as montadoras e empresas de tecnologia investem alto no desenvolvimento de equipamentos que certifiquem essa troca de informações na casa do milionésimo de segundo. Afinal, basta um piscar de olhos para determinar – ou não – a ocorrência de um acidente de trânsito, seja o condutor humano ou digital.

Este diálogo entre infraestruturas e devices edge, aliás, não é apenas a chave para o sucesso da estratégia como também uma valiosa oportunidade de negócios. Segundo o relatório The State of the Edge 2020, da Linux Foundation, os investimentos em CAPEX previstos para esta década ultrapassarão os US$ 700 bilhões, com foco em infraestruturas de computação de borda.


Menos Energia


Além da questão da latência, o edge computing ajuda a mitigar outro efeito da estratégia centralizada de processamento: o custo energético.

Estima-se que as grandes infraestruturas de data center e clouds consumam, anualmente, cerca de 1% da energia elétrica produzida no mundo – cerca de 190 TWh, conforme pesquisa de 2020 da IEA (International Energy Agency).

Em uma rede de edge data centers, o consumo despenca do MWh para o KWh. Isso por conta de sua localização, que dispensa as longas linhas de transmissão, e pela capacidade de processar e armazenar os dados próximos à fonte geradora.

Um exemplo prático desta vantagem pode ser verificado no agronegócio. Se o processamento de dados centralizado e distante torna onerosa a instalação de sensores em uma propriedade – para monitorar as condições do solo e fazer a gestão de recursos hídricos –, com a infraestrutura edge esta dificuldade se dilui exatamente pela não dependência do network para a realização das tarefas. Sem os custos de transmissão, a solução se torna mais econômica, sustentável e rentável.


Smart “Edge” Cities


As cidades inteligentes são outras beneficiárias do edge computing. A sua aplicação colabora para a implantação de soluções digitais ligadas à mobilidade urbana, segurança pública e áreas como a saúde.

Ele se revela fundamental na concretização do diálogo entre veículos, edifícios e sistema viário, por exemplo. Na questão da segurança, confere mais agilidade no tratamento das imagens captadas pelas câmeras de vigilância.

Mais além, a computação na borda pode ser instalada em um sistema de alertas contra acidentes naturais causados por catástrofes climáticas. Enchentes, tornados e até tsunamis podem ter seus impactos devastadores reduzidos pelo uso uma malha de processamento de dados próxima aos sensores capaz de efetuar o disparo de alarmes e o imediato bloqueio de áreas de risco, entre outras medidas preventivas que permitam salvar vidas.


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Tudo é questão de tempo de resposta e, neste processo de busca pela menor latência, o edge computing tem papel determinante para atender aos anseios de um mundo mais conectado, com máquinas mais rápidas e demandas mais urgentes.

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