Cidades em Transformação

29 de septiembre de 2021


Pense uma cidade como um organismo vivo, capaz de mutar para atender a novas demandas do ambiente ao redor. Como definiu Charles Darwin em seu ensaio A Origem das Espécies (1859), é este caráter mutável que pode determinar a longevidade de uma espécie – ou cidade – ao longo do tempo.

A ‘seleção natural’, do ponto de vista urbano, passa necessariamente pela capacidade de mutação conforme a exigência do momento: crescimento populacional, catástrofes naturais ou eventos extraordinários, como a pandemia de Covid-19. As cidades precisam estar mais preparadas para situações extremas e cabe à inovação tecnológica o papel essencial de gene da transformação.

Uma reflexão mais ampla sobre como a tecnologia assumirá esta condição e afetará o cotidiano das pessoas nos obriga a ir além de aplicativos de entrega de comida e de carros compartilhados. A inteligência digital integrada a serviços públicos essenciais – visão que ajuda a definir as chamadas smart cities, juntamente a sustentabilidade, a humanização na relação com a cidade e uma economia mais criativa -, vão redesenhar o modo de vida nestas áreas, como já temos presenciado a atual crise mundial.

Tráfego de veículos redirecionados por informações de satélite, transporte público gerenciado por ferramentas que melhoram a qualidade do serviço, reconhecimento facial e medição de temperatura em locais de grande circulação de pessoas e mais atenção para modais alternativos como a bicicleta têm feito as pessoas perceberem e desejarem cidades mais habitáveis, sustentáveis ​​e acessíveis, com infraestruturas físicas e digitais que suportem essas mudanças.

Do ponto de vista daquilo que se é possível prever, a superpopulação das cidades vai impulsionar mudanças sobre os serviços públicos e caberá ao administrador criar ferramentas que possam tornar um ambiente urbano mais seguro, inclusivo, ágil, humano, sustentável, participativo e, em última instância, mais resiliente. Tudo dentro de um ritmo acelerado, exigido pelas novas demandas e que só a inovação tecnológica poderá proporcionar.

Apesar de alarmante, essa tendência de crescimento populacional urbano pode tornar as cidades verdadeiros catalisadores de transformação: uma oportunidade para o desenvolvimento de soluções criativas para novos e velhos problemas.

A inovação urbana também será particularmente necessária para lidar com a ‘internet das coisas’ (IoT), uma tecnologia que já tem gerado experimentações com impactos na economia, na coesão social e na governança das cidades.


O momento do Brasil


Os desafios para a transformação tecnológica das cidades brasileiras ainda são robustos e envolvem questões como infraestrutura, logística, estabilidade política e capacitação.

No estudo Cities In Motion Index – CIMI 2019, elaborado pela Business School – University of Navarra (Espanha), sobre o nível de inovação das principais cidades do mundo, o Brasil não figura com nenhum representante no Top5 da sua região, a América Latina. Segundo a pesquisa, que considera fatores como capital humano, mobilidade, coesão social e tecnologia, as capitais Santiago (CHI), Buenos Aires (ARG), Montevideo (URU), San José (CRC) e Cidade do Panamá (PAN) estariam melhor preparadas quanto ao desenvolvimento tecnológico e de políticas públicas associadas.

No aspecto da competitividade, o País tem demonstrado avanços, mas é preciso melhorar. Em outubro, a Fundação Dom Cabral – em parceria com a escola de negócios suíça IMD – divulgou o Ranking de Mundial de Competitividade 2020, onde o Brasil aparece em 51° lugar dentre os 63 países avaliados – seis posições acima em relação a lista do ano passado. Como pontos positivos da análise, o uso de novas tecnologias e o processo de digitalização das empresas privadas no País foram bem referendados pelos pesquisadores.


Inovações por minuto


Essa mimetização dos mundos físico, biológico e digital – que define a Quarta Revolução Industrial – está transformando tão rapidamente o modo de vida das pessoas que é fundamental se investir em agilidade no planejamento do futuro das cidades.

No estudo Global Future Council on Cities and Urbanization (2018), do Fórum Econômico Mundial, esta capacidade das cidades de responderem prontamente às necessidades da população foi medida em key areas: Construções, Ocupação do solo, Segurança, Energia, Mobilidade, Governança e TI.

Quanto ao TI, segundo o estudo, o setor precisará desenvolver mais serviços convergentes entre empresas privadas e órgãos públicos, aumentando a capacidade de processamento, armazenamento e conectividade das infraestruturas digitais nas cidades. Garantir a disponibilidade das mesmas, o baixo consumo energético, a escalabilidade, a resiliência e a aptidão para receberem novos serviços e aplicações.

Contudo, o pretexto da agilidade não pode servir de camuflagem para transformações sem efeito ou que produzam impacto negativo na vida das pessoas. Como palco principal das experiências de inovação, as cidades devem ser gerenciadas por dados (data driven) que forneçam aos gestores públicos informações extremamente qualificadas para a tomada de decisão. Isso contribuirá enormemente para a redução de eventuais transtornos gerados pelas ações e dá maior assertividade às estratégias implantadas.

Há ainda o reflexo do ponto de vista ambiental. A preocupação é justa e pode ser ilustrada por uma curiosa sequência numérica: 2/50/75/80. Ela significa que as cidades, hoje, ocupam apenas 2% da superfície terrestre. No entanto, reúnem mais de 50% da população, um aglomerado de pessoas que consomem 75% de toda a energia produzida no planeta e gera 80% das emissões de dióxido de carbono.

Portanto, tornar as cidades mais sustentáveis e seguras com a aplicação de inteligência tecnológica – dando mais eficiência ao consumo energético, diminuindo a pegada de carbono e permitindo um gerenciamento do risco de desastres naturais decorrentes das mudanças climáticas – passam a ser metas prioritárias.

É importante ressaltar que nem toda transformação urbana precisa estar, de fato, atrelada a tecnologia. A resolução de problemas do cotidiano dos cidadãos passa, fundamentalmente, pela conexão cada vez mais forte entre o indivíduo e o sentimento de coletividade e pela mudança

Entretanto, este engajamento social pode ser muito melhor direcionado se baseado em análises de dados. Quando o big data se torna open data, convidando os cidadãos a participar do processo de decisão, a tendência é de vivenciarmos mudanças mais profundas, positivas e duradouras.

Assim, a união destas duas forças poderosas – a generosidade humana e a alta tecnologia – pode, de fato, transformar para melhor não apenas a vida nas cidades, mas no planeta como um todo.

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