IOT e 5G: como essa combinação garante força máxima para tecnologia e inovação

Velocidade, volume de dados transmitidos e baixa latência do 5G ampliam as possibilidades de conectividade em IoT e destravam uma série de aplicações em setores que, até agora, estavam dormentes

IOT e 5G: como essa combinação garante força máxima para tecnologia e inovação

Em fase de implantação no Brasil desde julho de 2022, o 5G promete causar uma revolução nas telecomunicações, com ampla repercussão sobre a Internet das Coisas (IoT). A perspectiva no mercado é a de que características únicas da nova tecnologia impulsionem aplicações de IoT que até agora eram difíceis, caras demais ou mesmo impossíveis. 

A chave para entender o potencial transformador do 5G para o mercado de IoT está na conectividade. Hoje, os projetos da área já usam uma série de outras tecnologias para integrar os dispositivos de uma rede IoT à internet. Wi-fi, LPWAN, bluetooth, 3G e 4G são alguns exemplos. Mas nenhum deles é tão rápido, suporta tantas conexões ao mesmo tempo,  tem latência tão baixa e capacidade de tráfego de dados quanto o 5G. 

Uma rede 5G suporta até um milhão de conexões por quilômetro quadrado. Como base de comparação, um roteador wi-fi doméstico tem capacidade para cerca de 250, em uma área bem mais restrita, e as redes 4G aguentam até 10 mil aparelhos por quilômetro quadrado. O volume de dados transportado também é muito maior e, a latência — diferença de tempo entre uma solicitação na internet e a resposta –, próxima de zero. Enquanto uma rede 4G leva até 54 milissegundos para processar um download de 1 GB, uma rede 5G é capaz de processar 20 GB, em não mais de dois milissegundos, com 99,99% de confiabilidade.

Com isso, a indústria do IoT acredita que será possível acelerar de forma substancial projetos em áreas que, até agora, vinham caminhando a passos lentos. Entre elas, estão as áreas de saúde, de mobilidade autônoma, de cidades inteligentes e projetos industriais mais complexos que os feitos até aqui. De forma mais prática, pense em cirurgias realizadas à distância, com auxílio de robôs; em drones e carros fazendo entregas sozinhos; sistemas capazes de fazer o mapa de calor de lojas; ou aulas e reuniões de negócios online imersivas, em 3D, por exemplo.

O 5G também é considerado um passo importante para o desenvolvimento de fábricas cada vez mais inteligentes, precisas e autônomas. Em um futuro próximo, a tecnologia permitirá que as robôs se comuniquem uns com as outras e, com o auxílio de plataformas baseadas em inteligência artificial, ajustem a produção à demanda, de forma contínua, em tempo real e praticamente integral, com paradas estratégicas programadas para manutenção, com base em históricos de demanda. Também facilitará o controle remoto da segurança 24h por dia.

Na gestão de cidades, uma das frentes mais promissoras é a construção de sistemas de transporte inteligentes. Liberadas pelo 5G de estender longas redes de cabos, as administrações municipais poderão instalar câmeras e sensores em maior número de pontos de áreas remotas. E, com ela, identificar acidentes e responder a eles em tempo real, reorientando o tráfego de forma remota e acionando equipes de resgate. 

O futuro agora

Em alguns países em que o 5G já está funcionando há mais tempo, como na Coreia do Sul, parte do que ainda é ficção por aqui já está acontecendo. A Korea Electric Power Corporation, por exemplo, anunciou que está desenvolvendo o gêmeo digital de uma de suas subestações. A companhia também instalou um sistema de smart grid e planeja usar robôs autônomos no controle e monitoramento da unidade, que poderá ser inspecionada de forma remota por profissionais usando óculos 3D. Todo o projeto envolve o uso da tecnologia 5G com IoT.

Outra empresa de serviços públicos coreana, a Korea Water Resources Corporation, está construindo um gêmeo digital de sua operação para poder acompanhar, em tempo real, o fluxo da água em sua rede e, em caso de desastres naturais, como enchentes, pode reagir mais rápido.

Na Irlanda, o 5G tem sido usado por uma startup do agronegócio, a MooCall, para identificar o momento em que as vacas estão parindo e localizá-las. Um sensor de movimento, com 5G, é preso ao rabo do animal. Quando o bezerro está perto de nascer, as vacas balançam mais a calda. Assim que identifica o padrão, o sensor emite um sinal com a localização do animal, facilitando a vida do fazendeiro, que pode deixar de monitorar o rebanho, e evita que algum animal jovem morra por falta de auxílio, como costuma acontecer em ao menos 2% dos casos.

Há, é claro, desafios a serem superados para que o número de cases no Brasil ganhe corpo e a prolífica combinação entre 5G e IoT destrave todo o potencial de geração de valor que tem. Hoje, por exemplo, muitas das máquinas e equipamentos, assim como os aparelhos celulares dos brasileiros, não estão preparados para operar com o 5G. Ou para se conectarem entre si e trocar informações. Será preciso também aguardar que o serviço se espalhe das capitais para o interior.

Mesmo assim, a expectativa do mercado é de que os aportes na nova tecnologia somem US$ 25,5 bilhões, até 2025. De acordo com a consultoria IDC Brasil, aplicações de IoT, ao lado de aplicações de  inteligência artificial (IA), cibersegurança e big data, estarão entre as mais beneficiadas pelos investimentos em 5G.